DE UMA SIMPLES CAPELA, À UMA BELA CIDADE. A HISTÓRIA DE ALTINÓPOLIS

igrejaNo século XIX, por volta dos anos de 1820, advindo de um lugar denominado “Ponta da Faca” no estado de Minas Gerais, acompanhado de seus filhos, José, Joaquim, João e Antônio Garcia de Figueiredo, o Capitão Diogo Garcia da Cruz seria o primeiro a desbravar o local em que hoje se situa nossa pacata cidade.

Altinópolis foi praticamente moldada pela forte religiosidade das pessoas de seu tempo, que em 25 de fevereiro de 1865, construíram na recém fundada fazenda Fortaleza, a pedido do então proprietário Major Garcia e sua esposa Maria Thereza Figueiredo Garcia, a capela de Nossa Senhora da Piedade, que era filiada à matriz Vila de Batatais.

No planalto, no alto da serra, ao redor dessa humilde capelinha, pouco a pouco, pequenas casas de taipa desalinhadas, formavam um pequeno povoado, chamado primeiramente de Arraial de Nossa Senhora da Piedade. Então em 23 de abril de 1866, os 42 alqueires de terras que abrangiam a região, foram doados pelos proprietários à igreja e enfim foi dado início à construção das primeiras ruas do povoado, que em 8 de março de 1875,  foi elevado a Distrito da Paz, tendo a partir de então, a fase inicial da formação de núcleo urbano, reconhecida pelo poder público.

Com a chegada de novos moradores, a freguesia ia crescendo paulatinamente, as novas terras eram bem produtivas e geravam boas rendas. O povoado agora passara a se chamar Freguesia de Nossa Senhora da Piedade de Mato Grosso de Batatais. Em 1883 era fundada a primeira escola, muito simples, mas de grande importância para a construção de um futuro promissor. Em 1894 chegava a primeira colônia italiana para trabalhar nas lavouras de café, em 1895, os primeiros imigrantes árabes, que eram mascates, caixeiros viajantes, que se dedicaram ao comércio e aos pequenos negócios.

Desponta no início do século XX, um surto de progresso no Brasil, acontece um enorme desbravamento das matas, abrindo novas estradas e ligando os pequenos vilarejos, às cidades maiores. Com elas surgiam as primeiras ferrovias, que em 1909 ligariam o estado de São Paulo a Minas Gerais, fato que trouxe um grande impulso à então já chamada, desde 1906, Vila Mato Grosso de Batatais.

Elevada a Distrito de Batatais em 1911, foram construídas mais duas escolas masculinas pelo chefe da polícia governista, Coronel Honório Palma, que nomeou como gestores, dois professores, Antonio Barreiros e Waldemar Cruz. Posteriormente foram nomeadas para a primeira escola feminina, as professoras Albertina Barbosa e Anézia Sampaio.

Com a chegada de imigrantes italianos, portugueses, sírios e libaneses, e com um certo nível de educação já implantado, além da plantação de café e a pecuária que se desenvolvia vigorosamente, começaram a surgir as primeiras intenções de independência do Distrito em relação à cidade de Batatais. Sendo assim, o então Distrito dava os “primeiros passos” para a emancipação político administrativa. Foi fundado o primeiro jornal, denominado “O Progresso”, pelo jovem idealista Simplício Ferreira, cujo redator era Oscar de Barros. Era o começo da vinculação da informação em papel em nossa terra, e também o “estopim que acenderia a centelha da emancipação”, despertando o clamor popular.

E assim, com o passar dos anos, a pequena cidadezinha vinha se formando, o trem de ferro São Paulo e Minas levava sacas de café e trazia produtos industrializados, nomes oficias para as ruas são criados, e os moradores adquirem iluminação pública, por intermédio do prefeito de Batatais na época, Renato Jardim, fornecido pela Cia. Francana de Eletricidade, aposentando de vez, os saudosos lampiões que por muitos anos, iluminaram as esquinas e casas. Já com eletricidade, foi possível fundar o primeiro cinema mudo, chamado Paris, por João Maciel de Almeida.

Em 1916, o comércio se modernizava e algumas fábricas foram instaladas, como de macarrão, de refrigerante e cervejarias. A característica artística e cultural começara fortemente a se desenvolver, o hoje já extinto Cine Teatro Guarany foi criado, as festas e bailes estavam a todo vapor, e o primeiro circo dos Irmãos Temperani chegava na cidade. É inaugurado o primeiro Correio que levava cartas a cavalo até Batatais, as casas já são construídas com certo estilo e elegância, e a praça central ganhava um belo coreto e um jardim encantador.

Mas foi em 1917 que os ideias de liberdade e emancipação política voltavam a ganhar força através da imprensa com o novo jornal “O Imparcial”, de Benedito Alves Pinto e posteriormente o jornal “A Evolução”, dirigido pelo professor José Cândido.

Com praticamente tudo constituído, boas estradas, escolas, jornais, praças, o momento da emancipação já era desejo da maioria. Coronel Honório Palma, tomou a frente e em 1918, realizara um plebiscito popular para a escolha do nome do futuro município. Jetirana (4 votos) e Pietápolis (1 voto), defendido por Simplício Ferreira, José Cândido Júnior e Professor Antônio Barreiros, e Altinópolis, liderado pelo Coronel Honório Palma, José Esteves Júnior e Capitão José Pio, foram os nomes sugeridos. Porém, ficou decidido pelo nome de Altinópolis* (95 votos), em homenagem ao Presidente do Estado de São Paulo, Dr. Altino Arantes. * (polis significa cidade em grego).

Em 03 de dezembro desse mesmo ano, por lei estadual, oficialmente, a pequena cidadezinha, agora chamada Altinópolis é elevada à categoria de Município. No ano seguinte, em 09 de março de 1919, houve desmembramento definitivo do Município de Batatais, e instalou-se a primeira Câmara Municipal, cujo presidente era o Coronel Honório Palma e vice-presidente Dr. José Avelino Corrêa. O primeiro prefeito foi o Capitão José Estevez Júnior e os vereadores foram Mário Meirelles, Manoel Joaquim Soares e Cap. José Pio.

Por iniciativa popular, foi dado início a construção do Hospital de Misericórdia em 1932, graças à marcante atuação do Padre José Murillo, novos jornais foram criados, o “Folha do Povo”, sob o comando de José Mendes Salomão e Manir Antônio Calil, e o também jornal “O Martelo”, e “O Farol” que eram mais críticos, sendo dirigidos por Muzeti Elias Antônio e Otávio Pereira respectivamente.

Finalmente em dezembro de 1965, Altinópolis recebe seu primeiro Juiz de Direito e se torna uma Comarca. Por volta dos anos 80, o artista plástico e escultor Bassano Vaccarini, a convite do então prefeito Dr. Pio Antunes de Figueiredo Júnior, transformaria Altinópolis em uma das maiores galerias a céu aberto do mundo, com o a famosa praça Jardim das Esculturas (inaugurada no ano de 1992) e outros pontos, o que conferiu à localidade, ainda mais notoriedade e referência turística em meio à rica natureza de seu entorno, (composta por com 5 rios, que nos dão 35 quedas d’água, entre cascatas e cachoeiras, e 8 grutas devidamente catalogadas, sendo a mais notória, a gruta do Itambé), dentre outras atrações, que faz dessa cidade, um lugar maravilhoso, tranquilo, apaixonante e único de se viver.

“Essa pequena cidade pertence a todos os seus filhos e aos que para ela vieram e continuam vindo, indistintamente, a fim de cuidarem de sua construção”.

– Frase de Desdêmona Zuccolotto Moura

3189-036-22Texto escrito pelo munícipe Wander Ribeiro

Referências:

Livro – A História e as Estórias de Minha Cidade, de Desdêmona Zuccolotto Moura

História da cidade no site oficial: http://altinopolis.sp.gov.br/historia-de-altinopolis/, http://altinopolis.sp.gov.br/altinopolis-96-anos-confira-um-breve-historico-de-nossa-cidade/

Blog Altinópolis, Minha Terra de José Márcio Alves: http://altinopolisminhaterra.blogspot.com.br

O Povo Que Faz Minha Terra”, de Oldemar Brondi. 2005. Volume I

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